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Hospital das Clínicas fecha nesta segunda-feira por tempo indeterminado
Pronto Socorro do HCT é paralisado para todos os casos que não sejam risco de vida iminente


“Este é um tema desagradável, mas de interesse da sociedade”. Foi com este discurso que o Dr. Luis Eduardo Tostes, reitor da UNIFESO, iniciou a entrevista coletiva que a instituição concedeu na manhã de hoje, para comunicar que a partir de segunda-feira, dia 03 de novembro, serão atendidos no Hospital das Clínicas de Teresópolis apenas casos de emergência com risco de morte ou prejuízos irrecuperáveis aos pacientes.

“Estamos aqui, na verdade, pedindo socorro. Desmontar um hospital não é tarefa fácil, e remontá-lo é ainda mais difícil”, continuou Tostes. Segundo ele, há anos o HCTCO vem enfrentando uma crise, com dificuldades financeiras e logísticas. “Temos consciência de que somos o maior prestador de serviços da cidade, mas precisamos receber pelos serviços que prestamos. No entanto, o que acontece é justamente o contrário: investimos recursos de cerca de R$ 10 milhões por ano no sistema. Custear a saúde de Teresópolis não é tarefa da FESO, apesar dela estar fazendo isso há muitos anos”, disse. Ainda de acordo com o reitor, há um débito do Município com a FESO, por serviços prestados, como repasses e autorização de internação hospitalar, de cerca de R$ 3 milhões.

O fechamento do Hospital das Clínicas se dará por inanição, uma vez que não há médicos para trabalhar no local e 13 plantões estão descobertos. Atualmente, o HCT atende cerca de 400 pacientes por dia. Segundo Nestor Vidal, Diretor do local, os profissionais estão desmotivados em trabalhar no HCT. “Vários médicos estão perdendo o interesse em trabalhar ali, pois recebem baixos salários e estão com excesso de trabalho. No entanto, não há nenhuma sensibilidade do Governo para resolver o problema”, afirmou.

Já a Professora Rosane Costa, responsável técnica do Hospital das Clínicas, definiu como um movimento de exclusão o que farão a partir de segunda-feira. “Faremos um movimento de triagem dos pacientes. Por conta do poder público, que até hoje ainda não se manifestou, infelizmente, a maior prejudicada será a população”, lamentou.

Os pedidos de demissão dos profissionais de saúde do Hospital refletirão também no atendimento ambulatorial, já que os médicos daquele setor serão transferidos para dar suporte ao serviço emergencial. “Inevitavelmente, o reflexo da emergência cairá no ambulatório. É possível que até mesmo consultas previamente agendadas sejam desmarcadas”, concluiu a médica.