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Psicanálise - Paulo Sternick
 
Dr. Paulo Sternick

Dr. Paulo Sternick Consultório de Psicanálise Rio de Janeiro (Leblon, Barra e Teresópolis) e Skype: paulo.sternick Tel. principal: 21-2294-0806 Celulares: 9979-4724 / 9342-5777

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A idade e o amor

          

Saiu em “Caras” esta semana meu novo artigo sobre o assunto “amor”, e, então, o coloco à disposição dos leitores deste jornal. Escolhas amorosas pouco convencionais sempre aconteceram, mas no caótico mundo atual, assolado por rápidas mudanças e com maior liberdade privada, pares inesperados se formam com mais frequência, às vezes surpreendendo quem ainda só acredita em relações que atendam aos moldes tradicionais. Casais com diferenças acentuadas de idade, por exemplo, tornaram-se muito comuns e isso abre novas possibilidades — e também desafios — para quem tem a mente e o coração abertos.
Dá certo? Muitas vezes, sim. O êxito depende dos motivos que juntaram o casal e especialmente do grau de afastamento que ele tem das ciladas inerentes a esse tipo de relação. Ao falar sobre o tema, a atriz brasileira Eliane Giardini (60), que fez o papel de uma mulher madura namorando um rapaz jovem na novela Avenida Brasil, recentemente exibida pela Rede Globo, tocou no ponto: “A gente se apaixona por pessoas, pode calhar de serem mais novas ou mais velhas”. Claro. A ligação baseada no desejo e no encantamento mútuo é muito diferente da armadilha, bem comum nesse tipo de relação (mas não só nele), que eu chamaria de “armadilha da concretude”. Falo das seduções meramente físicas e materiais, que resultam em pares formados na base da grosseira troca da juventude de um pela riqueza ou fama do outro.
É evidente que mesmo em casais da mesma idade ou geração, atração física e facilidades materiais podem atuar como critérios de escolha, em meio a outros ingredientes. Mas, se esses critérios “materiais” são decisivos, a união deixa de ter os os autênticos cimentos que a poderiam sustentar: o amor pelas qualidades do outro, o caráter, a dignidade, a ética e a generosidade recíprocas. Resumindo: uniões baseadas só na volúpia e na ganância envolvem alto risco de encrenca, decepção e infelicidade.
Aos ouvidos de um psicanalista — uma curiosidade: o pai de Sigmund Freud (1856-1939) era 20 anos mais velho do que a mãe dele —, a frase da atriz soaria ingênua, pois é óbvio que a juventude e a energia, de um lado, e a experiência e a capacidade de oferecer conforto, de outro, têm papéis importantes na atração e no apaixonamento. Uma pessoa não existe no vácuo: ela tem um corpo, uma história, uma idade, uma cultura, uma profissão. Ao lado da índole, tudo isso forma a sua completude e pesa no jogo das seduções.
As relações entre pombinhos com idades muito diferentes sofre habitualmente olhares simplificadores, que só levam em conta a tal da “armadilha da concretude” e são facilmente enquadradas de forma pessimista ou irônica — são pai e filha?; mãe e filho? —, o que exige uma tolerância adicional com os preconceitos alheios, que podem muito bem expressar uma negação do sentimento de inveja.

O pensador chinês Confúcio (551-479 a.C.) indagou certa vez: “Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos tem?” A frase instigante chama a atenção para o caráter relativo da idade. O tema também foi abordado pelo escritor checo Milan Kundera (84). Ele escreveu que nós somos, na maior parte do tempo, “uns sem-idade”. Somos, também, uns sem-vergonha, digo eu! Enfim... Só pra lembrar: o cineasta norte-americano Woddy Allen (77) não apenas se casou com Soon-Yi Previn, 35 anos mais nova, como estava casado, antes, com... a mãe dela — e a relação já dura 14 anos! A propósito, quanto tempo ficam juntos os jovens casais de hoje, mesmo?

 

Paulo Sternick é psicanalista no Leblon. Atende em Teresópolis nos fins de semana. Escreve no DIARIO e no www.teresopolison.com aos sábados. E-mail:psternick@rjnet.com.br
 
 
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